Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2026
Carreiras mais longas, diferentes gerações no mercado de trabalho e novos projetos de vida estão mudando nossa relação com o futuro e também com o planejamento financeiro e previdenciário.
O Brasil está envelhecendo. E essa transformação já aparece no mercado de trabalho, nas relações profissionais e na forma como cada pessoa imagina o próprio futuro.
Segundo o IBGE, o país tinha 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024. Em comparação com 2012, esse grupo cresceu 53,3%.
Ao mesmo tempo, muitas pessoas permanecem profissionalmente ativas por mais tempo. Mudam de carreira, voltam a estudar, empreendem, passam por diferentes vínculos de trabalho ou continuam trabalhando mesmo depois dos 60 anos.
Esse cenário traz uma pergunta importante:
Se estamos vivendo mais, o nosso planejamento está acompanhando essa mudança?
Durante muito tempo, a trajetória profissional foi vista de forma mais previsível: estudar, entrar no mercado de trabalho, construir uma carreira e, depois de algumas décadas, se aposentar.
Hoje, esse caminho pode ter muitas curvas.
Uma pessoa pode trabalhar em diferentes empresas, mudar de profissão, atravessar períodos de maior ou menor renda, atuar de forma autônoma ou iniciar novos projetos em fases mais maduras da vida.
Com isso, o planejamento financeiro também precisa acompanhar essas mudanças.
Planejar o futuro não significa saber exatamente como a vida será daqui a 20 ou 30 anos. Significa criar condições para ter mais escolhas ao longo do caminho.
Hoje, é cada vez mais comum entrar em uma empresa e encontrar pessoas vivendo momentos muito diferentes da vida profissional
De um lado, alguém começando a carreira, cheio de expectativas e aprendizados pela frente. De outro, profissionais que já acumularam décadas de experiência, atravessaram mudanças no mercado e continuam contribuindo ativamente. Entre eles, diferentes gerações compartilham o mesmo espaço, trocando conhecimentos, repertórios e formas de enxergar o trabalho.
Essa convivência revela uma mudança importante: as trajetórias profissionais estão ficando mais longas, menos lineares e mais diversas.
E, quando a forma de trabalhar muda, outras perguntas também ganham espaço: por quanto tempo vamos permanecer ativos? Como nossa renda pode mudar ao longo dessa trajetória? E como queremos nos preparar para o momento em que o trabalho deixar de ser a principal fonte de renda?
Pensar em longevidade também é pensar em planejamento financeiro e previdenciário durante toda a trajetória profissional.
As prioridades de uma pessoa aos 25 anos dificilmente serão as mesmas aos 40, 55 ou 70.
Nesse percurso, podem acontecer mudanças de renda, casamento, chegada de filhos, transições de carreira, novos projetos ou a aproximação da aposentadoria.
Por isso, o planejamento financeiro e previdenciário pode ser revisto e ajustado conforme a vida muda.
Algumas perguntas ajudam a começar essa reflexão:
• Quanto da minha renda consigo reservar para o futuro?
• Como gostaria de viver quando reduzir ou encerrar minha atividade profissional?
• Minha renda futura será suficiente para os meus projetos?
• Tenho uma reserva de longo prazo?
• Meu planejamento ainda faz sentido para a fase de vida em que estou hoje?
Não existe uma resposta igual para todo mundo. Mas quanto antes essas perguntas entram na rotina, maior pode ser o tempo disponível para construir alternativas.
Quando pensamos em previdência complementar, é comum associá-la imediatamente à aposentadoria. Mas a vida acontece muito antes disso e nem sempre segue o que foi planejado.
Um acidente, uma doença, um afastamento do trabalho ou a perda de alguém que contribuía para a renda da família podem mudar completamente uma rotina. Dependendo das características do plano e das coberturas contratadas, a previdência complementar também pode oferecer proteção financeira em situações como invalidez, doenças graves ou falecimento, ajudando o participante e sua família em momentos de maior vulnerabilidade.
Ao mesmo tempo, as contribuições feitas ao longo dos anos ajudam a formar uma reserva para o futuro. É aí que entra o planejamento: pensar em como queremos viver na aposentadoria, mas também em como podemos estar mais preparados para imprevistos e para os diferentes projetos que surgem em cada fase da vida.
Assim, a previdência complementar pode acompanhar toda a trajetória profissional, contribuindo para a construção de uma renda futura e, quando previsto pelo plano, oferecendo proteção financeira também durante o caminho.
Mas viver mais também traz uma pergunta importante: como queremos chegar a essas próximas fases da vida?
As decisões profissionais, financeiras e pessoais que tomamos hoje ajudam a construir as possibilidades que teremos amanhã. Isso inclui pensar em como preservar nossa autonomia, realizar projetos e manter segurança financeira mesmo quando nossa relação com o trabalho mudar.
O futuro pode parecer distante, mas começa a ser construído muito antes da aposentadoria. Planejar é ampliar as possibilidades de escolha sobre como queremos viver quando esse futuro chegar.
E é justamente pensando nessas mudanças e nas diferentes necessidades que surgem ao longo da vida que o Portus também olha para o futuro. O Instituto está desenvolvendo estudos para a estruturação de novos planos de previdência complementar , buscando soluções que possam acompanhar diferentes perfis, trajetórias profissionais e formas de planejar e proteger o futuro.
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